Stephen King: conheça um pouco mais sobre o rei do horror

Por Adilson de Carvalho* | Arte: Editora CRIATIVO | Adaptação web Caroline Svitras

Como regra geral, todos tememos o que não conhecemos. Somos assombrados por espectros surgidos de nossa incapacidade de controlar a realidade. Com o Stephen, na infância, não foi diferente. Abandonado pelo pai aos 2 anos, foi criado pela mãe junto a David, um irmão adotivo, mudando de cidade em cidade até se fixar — aos 11 anos — no Maine, estado americano cercado por uma extensa floresta de pinheiros que viria servir de cenário para várias de suas histórias. Embora tenha começado a escrever em 1966, mesmo ano em que terminara o ensino médio, só conseguiria publicar seu primeiro livro quase dez anos depois, quando o mundo conheceu a história de Carrie – A Estranha (Carrie).

 

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A princípio, o autor escreveu uma passagem (a do chuveiro na escola) com a intenção de transformá-la num conto para possível publicação. Na época, King trabalhava como professor e amargava um sentimento derrotista; mas estimulado pela esposa, Tabitha, o autor ampliou a história dando-lhe o formato de um romance epistolar, construído em torno de notas de diários e notícias a respeito da jovem Carrie White, uma adolescente oprimida pelo fanatismo religioso de sua mãe e detentora de uma descontrolada habilidade psíquica, vítima de constante bullying. O sucesso do livro, que chegou ao Brasil pela editora Nova Fronteira, levou a três adaptações para o cinema, sendo a primeira dois anos depois do lançamento, dirigida por Brian De Palma.

 

 

Até hoje o livro Carrie é banido das escolas americanas pelo teor extremamente assustador. Por outro lado, tal revés também confirma a capacidade do escritor de provocar pesadelos, costurando o que é real com linhas de pavor que mexem com o leitor. Seu segundo livro partiu da seguinte ideia: como seria se Drácula vivesse em uma cidadezinha americana dos anos 1970? Assim, surgiu o vilão Conde Barlow, um vampiro que escraviza a pacata cidade de Jerusalem Lot no livro A Hora do Vampiro (Salem Lot), de 1975. Apesar da óbvia comparação com o clássico de Bram Stoker, King mergulhou na ideia de cidadãos agindo como marionetes sem emoção, tendo a figura de um escritor, o personagem Ben Mears como o herói que livrará a cidade da criatura maligna, responsável por mortes terríveis. Novamente, não demorou muito para que os direitos fossem vendidos, desta vez tornando-se uma minissérie de TV, roteirizada por Paul Monash.

 

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Um dos seus maiores sucessos literários viria a seguir, em um momento conturbado na vida do escritor. Apesar do sucesso crescente e promissor, Stephen King mergulhava na dependência do álcool. Inspirado por um período em que o escritor e sua esposa se hospedaram no Hotel Stanley, no Colorado, ele transpôs seus demônios pessoais para a figura de Jack Torrance, um escritor tomado pelo bloqueio durante um inverno rigoroso, enclausurado com sua família em um hotel assombrado por fantasmas que podem ser vistos pelo seu filho Danny, em O Iluminado (The Shining). A inocência deste contrasta com o tormento de seu dom que lhe permite ver imagens do passado do hotel Overlook, onde um crime terrível ocorreu no passado, no quarto 217, o mesmo no qual King e sua esposa se hospedaram durante o inverno. A história ganhou um alcance maior ainda com a adaptação cinematográfica de Stanley Kubrick, estrelada por Jack Nicholson que, no entanto, incomodou o autor pela mudança no desfecho da história. King criou o Jack Torrance de O Iluminado como um simulacro de sua própria persona atormentada, e fez de sua vida pessoal a fonte para várias das histórias que criou.

 

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Adaptado do texto “Stephen King rei do medo: mestre das histórias de horror e ficção”

*Adilson de Carvalho Santos é Professor licenciado em Inglês e respectivas literaturas pela UERJ e licenciado em Português e Literatura pela UNIGRANRIO. Autor de artigos sobre cinema e adaptações literárias em blogcineonline.wordpress.com.

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