The Handmaid’s Tale

The Handmaid’s Tale, principal obra de Margaret Atwood, permanece assustadoramente atual

Por Karen Nina | Adaptação web: Tayla Carolina

Na década de 1980, os Estados Unidos viviam a Era Reagan. As manchetes de jornais noticiavam a taxa de natalidade decrescente, a repressão às políticas de contracepção e aborto, além de fenômenos mais mundanos, como o surgimento do cartão de crédito.

O Partido Republicano buscava a restauração dos “valores da família”, defendendo a oração nas escolas, enfrentando sindicatos, iniciando uma guerra contra drogas e ressuscitando o anticomunismo. Foi uma época em que os papéis tradicionais de gênero foram reforçados.

A personalidade do próprio presidente enfatizava isso. Ronald Reagan era a encarnação do ideal nostálgico de masculinidade: invocava competições de foguetes na Guerra Fria e ostentava roupas de cowboy.

Diante desse cenário, a escritora canadense Margaret Atwood começou a escrever O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale, no título original). O livro, publicado em 1985, enfatiza os perigos do fundamentalismo religioso e baseia-se na imagem do autoritarismo comunista, aludindo a mercearias com poucas providências e espiões onipresentes.

A obra, que vendeu milhões de cópias e foi traduzida para dezenas de idiomas, mostra também como uma revolução neoliberal poderia resultar na opressão da parcela feminina da população.

A trama se passa em Gilead, localizado no Nordeste dos Estados Unidos. O novo país é governado pelo grupo Filhos de Jacó, formado por fundamentalistas cristãos cuja nova sociedade evoca a rigidez do passado puritano. As pessoas saúdam umas às outras com frases como: “Bendito seja o fruto” e “Que o senhor possa abrir”.

Desastres ecológicos não especificados levaram a maioria dos casais a se tornar inférteis e a culpa recaiu sobre a população feminina. As mulheres que ainda são capazes de procriar são reunidas pelo governo para se tornar aias, escravas parideiras forçadas a oferecer sua fertilidade para homens poderosos cujas esposas são estéreis – essa palavra, aliás, é proibida.

Caso recusem o trabalho, as aias podem ser descartadas junto com as Não mulheres (feministas), os Traidores de gênero (lésbicas e gays) e outros inimigos do Estado, trabalhando no descarte de material contaminado longe dos centros urbanos. Algumas mulheres se tornam Marthas, como são chamadas as criadas domésticas.

Outras trabalham como Tias, que ensinam às aias os preceitos da nova ordem. As esposas possuem uma posição de poder dentro de suas casas, mas a extensão de sua autoridade é restrita às suas próprias servas. Cada divisão de mulheres recebe uma cor: as esposas usam azul; as marthas, verde; as tias, um leve tom de marrom; as aias, vermelho.

Essas estratificações mantêm as mulheres ocupadas com suas próprias alianças e criam inimizades. A estratégia é fundamental para inibir levantes coletivos contra os homens que as subjugam.

 

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