Conheça mais sobre Violeta Parra

Muito do que hoje se conhece da música latino-americana no mundo deve-se ao trabalho de Violeta Parra, poeta e pesquisadora chilena que recentemente completaria 100 anos

Por Franklin Valverde* | Adaptação web Tayla Carolina

Se estivesse viva, Violeta Parra teria completado 100 anos em 4 de outubro de 2017. Nascida em San Carlos, Ñube, no Sul do Chile, Violeta era filha de um professor primário e de uma costureira. Teve nove irmãos, entre eles o cantor e compositor Roberto Parra (1921-1995) e o poeta Nicanor Parra, nascido em 1914 e um dos mais destacados poetas da atualidade. Dois de seus quatro filhos, Isabel e Ángel, foram os responsáveis por levarem o seu legado artístico, pois também se dedicaram à música.

IMPORTÂNCIA MUSICAL

O trabalho realizado por Violeta Parra como compositora e folclorista foi um dos mais importantes para a preservação do patrimônio cultural chileno. Durante anos percorreu, de Norte a Sul, todo o Chile gravando inúmeras manifestações artísticas genuinamente populares que, hoje, estariam desaparecidas se não fosse seu labor pioneiro coletando poemas e canções, com seus ritmos populares. Muito do que hoje se conhece internacionalmente da música chilena deve-se ao trabalho de divulgação que Violeta fez pela Europa e América Latina, entre os anos 1950 e 1960.

Começou com a sua participação no Festival da Juventude na Polônia, em 1954, passando pela antiga União Soviética, indo depois para a França, onde morou por dois anos. A partir dessa estadia francesa, a música popular do Chile passou a ser conhecida, apreciada e gravada fora das suas origens.

 

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Esse seu labor de pesquisadora e de divulgadora teve uma importância muito grande para a música de raiz popular do seu país, assim como da América Latina, pois impulsionou outros artistas a fazerem o mesmo.

Violeta Parra desbravou caminhos para o que depois veio a ser a chamada Nueva Canción Chilena, movimento musical e cultural que surgiu no final dos anos 1960, chegando ao auge no período de governo socialista do presidente Salvador Allende (1970-1973), depois perseguido pela posterior ditadura miliar de Augusto Pinochet.

Nesse período destacam-se os grupos musicais Quilapayún, Inti Illimani e Illapu; os artistas Victor Jara, Patricio Manns e Rolando Alarcón, além de Ángel e Izabel Parra, filhos de Violeta. A Nueva Canción Chilena teve como características principais o resgate da música folclórica e a valorização de temáticas sociais.

ARTISTA PLÁSTICA

O talento artístico de Violeta Parra não se limitou à área musical, destacando-se também nas artes plásticas com telas, cerâmicas, tapeçarias e bordados em arpillera, uma espécie de tecido rústico feito de juta ou cânhamo. Suas pinturas retratavam, principalmente, cenas da cultura chilena, resgatavam a vida rural do seu país e seus trabalhadores, seguindo um estilo que se aproximava do naif.

Como artista plástica, realizou, em 1964, uma exposição no Museu do Louvre, período em que novamente morou na França, sendo a primeira artista sul-americana a fazer uma exposição individual no museu. Terminada essa sua segunda estadia na França, voltou para o Chile em junho de 1965, com o objetivo de concretizar uma proposta ousada: criar uma espécie de centro cultural, La Carpa de los Parra.

Tratava-se de um local que funcionava como se fosse um circo no qual havia espetáculos musicais, servindo também como ateliê de arte para exposição e venda de suas telas e arpilleras. Além disso, também funcionava como uma espécie de bar e restaurante, no qual eram servidos pratos da culinária popular do Chile.

Foi lá que ela passou seus últimos anos de vida. Depois do sucesso inicial, La Carpa teve uma diminuição paulatina de público, pois o local era um pouco afastado do centro de Santiago, dificultando o acesso dos fãs. Violeta, nesse momento, também passava por um momento pessoal difícil com a sua recente separação do músico Gilbert Favre, seu último amor. A soma desses dois fatos fez com que ela caísse em uma profunda depressão, pondo fim à vida com um tiro, aos 49 anos.

 

*Franklin Valverde é poeta, jornalista e professor universitário. Mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela USP e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. É autor do livro Banco de versos (Terceira Margem).

 

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